De alguma forma eu projetei que seria no segundo semestre desse ano que eu iria bater a meta de cinquenta quilos perdidos. Ao longo de quase três anos eu entrei na missão de diminuir pela metade.
Falava isso brincando, mas no fundo era isso que eu estava precisando. Cheguei a pesar 115kg em 2022, IMC de 41 e a vacina contra covid junto dos velhinhos de 85 anos.
Aí que eu enxerguei a morbidez da obesidade. Nem usam mais esse termo mas eu peguei a visão. Não era que eu ia comer até explodir... Mas as vezes, uma coisinha mais grave poderia me afastar da solução devido a obesidade. Imagina uma infecção de coronavirus..
Bateu na consciência e procurei tratar como doença. Nutricionista, endocrinologista, ginecologista... Até ortopedista, devido a lesão no pé, esporão, facite e todas as frescuras que o meu pé tem. Eu já tinha me matriculado na academia e tentava ao máximo ir três vezes na semana. Mal sabia fazer os exercícios, inflamadona, era realmente muito difícil.
A nutri descobre muita deficiência do corpo que rouba a disposição por exemplo. É como se a gente tivesse um laudo de preguiça. Okralin foi o suplemento natural a base de quiabo que me ajudou a desinflamar, o psylium me faz ter mais saciedade, picolinato de cromo (com morosil e vinogarape) diminui a boquinha nervosa especialmente pra comer doce. E até hoje suplemento vitamina A, D, Zinco quelato, biotina e to metendo uma curcumina também.
Pela endócrino, o remédio que eu comecei tomando chama-se Contrave, ele me fez parar de beber consideravelmente e perder 18kg em menos de três meses. Mas vivia passando mal como se tivesse comido um rodízio. Voltei na endócrino ela pediu que eu fizesse um esforcinho ($$) e indicou que eu tomasse Mounjaro.
Naquela semana peguei um banho de chuva, cagou toda a receita, não tive como comprar. Ainda mantive na dieta mas é foda controlar. No final do ano, dei aquela relaxada, bebi uns vinho e quando eu percebi ja tinha engordado 6kg de novo.
"Dra. agora é sério, me mande a receita que eu vou conseguir iniciar o tratamento", ela me deu logo pra dois meses, uma receita sem data pra caso eu não tivesse a grana a tempo. Comecei em 4 de dezembro com 94kg. E ele silenciou a 'food noise' na minha cabeça.
Colaterais? Suportáveis. Nas primeiras semanas parecia que eu tinha pegado uma dengue, mas mesmo assim eu ia treinar. Esvaziamento gástrico me faço dá uns arrotos dignos de filme de terror. E só.
O negócio começou a aparecer quando eu passei a treinar todo dia. Troquei 100% das roupas do meu armário. Também tomo outros suplementos, creatina, whey protein, pré-treino, chás termogênicos e outras bebidas sem açúcar e sem adoçante também.
Sobre valores, ao todo, já gastei com remédio bem menos que 1/5 do valor de uma cirurgia bariátrica. Se contar com a economia do álcool, super compensa.
Sai do manequim 52 e to usando 38. Do G3 ao P. E só agora percebi o quanto eu era maceta. Distorção de imagem que chama? A gente não se vê enorme até diminuir.
Ainda na bateria de profissionais, a saúde mental tá na pauta, eu também tô fazendo acompanhamento com uma psicóloga especialista em obesidade, emagrecimento e afins.
Ela me tirou a verdade da compulsividade. E tem me ensinado a "pensar magro". Também trabalho a ideia de não julgar aquela Renata que foi tão permissiva aos confortos da vida junkie. Essa também entrou no processo de reconstrução do próprio corpo.
Do mesmo jeito que eu não engordei da noite pro dia, também não vou meter o shape assim tão rápido. Essa Renata que agora te escreve, tá mais confiante no processo, já em 'desmame' do Moun-moun..
Minha casa fica a 10km da academia que eu frequento. E é indo pra academia que nem como se vai pra faculdade. Onde tem que ir todo dia, tem um figurino próprio, tem aulas que a gente gosta, aulas que a gente foge, fala com a mulher da portaria, vira colega da mulher da cantina, troca ideia com a tia do banheiro, enfim, cria uma rotina de constância.
Atualmente eu ainda tenho mais de dois empregos, faço free lancer, invento vários atribuições na área da gastronomia mas sem perder o foco. Farmei aura na balança e bati 67 kg essa semana.

3 comentários:
Lembro de nosso antológico diálogo nos fundos do Vibrania. E vc me dizendo: "mano, a gente precisa mudar nosso rumo devida no sentido saúde. Eu, caso continue que nem uma "baleia", vou morrer. E vc também, precisa cuidar de vc". Hoje ao vê que pensar com fé, força e foco, faz-se um decidir, projetar, afirmar. Assim constato o quanto à vida e à morte estão, muitas das vezes, ligados à coragem de autoconfrotar-se com nosso comodismo, adiamentos e medos de aceitar que podemos nos tornar a nossa própria "imagem e semelhança" no sentido no sentido mais factual do termo, desde que não ouçamos a voz que mais nos impede de progredir no corpo e na alma: os sussurros O Auto-Engano. Teu peso se vai e a Vida te vem. Te amo.
Que depoimento emocionante e importante. Muitas pessoas passam pela mesma situação no silêncio, na solitude, então com certeza compartilharei esse depoimento. É incrível e admirável demais sua força de vontade ao longo dos anos. E vindo de alguém que cozinha pacas é melhor ainda rs. Parabéns pelo esforço e por enxergar a importância que tens na vida daqueles que te amam. Nem todo mundo tem essa chance. Eu perdi meu pai pela boca, meu filho teve problemas sérios gastrointestinais muito cedo. Infelizmente nossa cultura ainda come muito errado, aos poucos está despertando. A indústria alimentícia e a cultura do fast food aliada a um ritmo intenso de vida tbm não ajudam. É muito bacana ver essas histórias de superação. Parabéns amiga, que sua história ecoe pelo mundo e sirva de exemplo pra todas as pessoas que passam por esse drama da obesidade.
Minha mana Los (Renatinha ) muita força para vc nessa caminhada
Esse relato forte e inspirador Parabéns por essa conquista e, principalmente, pela coragem de reconhecer que precisava mudar e buscar ajuda.
Mas quero deixar uma mensagem também para quem está lendo
O blog e ainda não conseguiu dar esse passo, não se compare. não se culpe. não se cobre além do que consegue suportar. Cada pessoa tem seu tempo, sua história, suas dificuldades e suas batalhas que muitas vezes ninguém vê.
Para quem ainda está tentando: você não fracassou. Você ainda está caminhando. E até um pequeno passo já é um passo.
Que a conquista de alguém sirva de inspiração, nunca de cobrança. Que ela acenda uma esperança em quem ainda está buscando forças.
E quando essa força vier, que você possa começar do seu jeito, no seu tempo e, se precisar, com ajuda.
Respeito máximo a quem venceu uma grande batalha e, principalmente, a quem continua lutando todos os dias.
Que ninguém se sinta sozinho nessa caminhada.
Força, fé, respeito e acolhimento. Um dia de cada vez.
Paz e Respeito mana.
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