E lá se vai
mais um assunto polêmico, mas na real, nem é tanto assim. Esse assunto é um
mercado bem fácil de ser identificado e quase não é mal visto entre os
profissionais da comunicação. Pra quem não sabe, também é chamado de jabá
aqueles ‘agrados’ que são feitos por empresas, políticos ou entidades a alguns
jornalistas, editores, colunistas sociais e donos de veículos de comunicação.
O nível do
agrado depende muito da popularidade do jornalista em parceria com o grau de magnitude
da empresa. Algumas fazem festas de confraternização para imprensa no
final do ano. Há quem diga que isso é se vender por um prato de comida, outros
que argumentam com a opção de ganhar de prêmios e viagens aéreas, um ou o
outro, eu vou em algumas porque sei que sempre reencontro ex-colegas de
trabalho, faculdade e até ex-professores.
Já tive
oportunidade de receber uma grana que por ingenuidade da fonte, achou que é “desse
jeito que funciona”. Na hora, eu dei um sorriso simples e disse que ele não precisava
se preocupar que a satisfação dele depois da matéria publicada era meu
pagamento. E até é, quando existem inúmeros cargos fantasmas em assessoria de políticos
e ao mesmo tempo, mantém intactos suas vagas nas redações. Até nisso é definido
pela popularidade do jornalista.
Uma vez eu fiz
uma matéria com uma cantora, peguei o flyer e como não tinha onde ouvir o CD,
deixei dentro da bolsa. Era véspera de feriado e eu estava de folga, fui com
uns amigos tomar um banho de cachoeira em Presidente Figueiredo, na volta da
viagem, soltei uma piadinha do tipo: “to enjoada desse som, põe isso aqui”, e
quando abri o CD da mulher, tinha R$50 dentro. AH! Moleque! Confesso que esses
50tinha morreu de colar, eu tava lisa, tinha gastado uma grana na viagem,
acabou servindo pra botar gasosa no carro do amigo.
Tenho um amigo
que diz que no futuro eu vou ser mais uma, dessas que aceita e se contenta. Acho
que não é pra tanto. Minhas contas são altas e muitas, mas o equilíbrio tem que
ser feito. E a consciência sempre limpa. Porque pra mim, receber jabá em
espécie ou não, é que nem babar-ovo. Isso eu deixo pros assessores de imprensa,
colunistas sociais e relações públicas dessa triste imprensa manauara.
Conversando com
alguns amigos jornalistas o assunto tomou conta da mesa, muitos condenam, acham
o absurdo e outros assumem até que em alguns momentos os ‘agrados’ são inevitáveis.
Eu acho um pouco triste pela parte profissional, porque o jornalismo
propriamente fica esquecido e até alguns que sambam na cara dos que trabalham
de verdade. Dos que gostam do que fazem e priorizam a noticia acima de tudo. Fico triste quando neguinho passa por cima da
pauta e não consegue enxergar o que de fato é a notícia.
A população por
muitas vezes fica refém dessas verdades, na ‘inocência’ de que jornalista só
trabalha desse jeito. Minha avó diz que eu devia ter arrumado um emprego, ao invés
de um “trabalho”. Eu gosto e não abro mão, mesmo com as condições salariais. Criatividade
é luxo e talento é raridade. Confere?