A questão da identificação é o que bate forte. Tem uma
música dos anos 80 que faz muito sentido pra mim. Quando o Cazuza diz que “quer
a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida”. E só esse inicio já me
faz passar horas pensando sobre que fruta mordida é essa.
A minha sorte seria da experiência, da maturidade, da segurança.
Um amor que te protege sem machismo, um carinho verdadeiro mesmo que ele possa
parecer bobo. Um amor que confia por que
sabe que fidelidade é uma questão de caráter.
Outro dia conversando com um amigo que é casado há dez
anos com a mesma mulher, ele tava falando sobre como lida com ela, chega no
local sabe o que ela vai pedir mesmo sem nunca ter olhado o cardápio. Por mais
que ela naquele dia não queria aquele prato, ela acaba comendo por não questionar
a ação dele.
Claro que quando o casal chega a esse nível de
intimidade realmente não há muito o que questionar, afinal de contas, como
diria Agenor de Miranda Araújo Neto, quando acaba a gente pensa que ele nunca
existiu.
Parafraseando agora o Criolo, eu dou licença pro amor,
deixo ele entrar e amando eu me acalmo e me desespero. Me encanto e venero. Mesmo
que no fundo, chegue a pensei que quero só a paixão. Fogo e segredo.