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domingo, fevereiro 17, 2013

O dia que eu quis dar esmola e não tinha dinheiro


Esse titulo não é para ter um tom dramático, simplesmente porque foi exatamente isso que aconteceu. Sem querer parecer piegas ou seiláoque eu cheguei a ensaiar esse post várias vezes, confesso que tentei até escrever num papel as coisas que quero escrever unicamente porque não confio na minha memória, enfim, agora vai!

Quem me acompanha de perto sabe que eu gosto muito de andar de ônibus. Claro que há tempos minhas rotas não precisam mais ocupar o horário de pico, não pego busão lotado nem fodendo, mas se ele lotar e o esfrega-esfrega começar é o jeito eu entrar no clima. 

E diante tantas rotas já percebi que os temas das pessoas que transitam pelos coletivos são específicos, mesmo que aleatórios eles seguem padrões diferentes. Estou falando de ambulantes, vendedores, pregadores, missionários e todos os 171 que pedem licença da nossa atenção e até da nossa colaboração.

O cenário era a Avenida Constantino Nery, ele subiu pela porta da frente na altura da Ambev. O blábláblá inteiro eu não lembro, mas o resumo da história é que ele tinha diabetes, perdeu o pé (ou a perna) por conta da doença e não podia trabalhar.

O busão tava meio lotado, mas eu consegui ver que ele tava de braços abertos se segurando e falando várias coisas bonitas. Coisas sobre a vida, sobre o aprendizado que ele já teve e acabou tendo que passar ao longo dessa doença.

Ele não tinha um discurso de evangélico gorduroso, era um homem que não queria perder a dignidade e precisava de ajuda. E com isso, ele pediu o esforço da solidariedade. No caso, ele queria que as pessoas entregassem dinheiro até ele, porque ele não ia pagar a passagem e nem ia ficar se aventurando dentro do busão em movimento.

O cara tava clamando por ajuda e o público petrificado.

Mano, era uma hora da tarde de janeiro, não tinha aluno era só gente que trabalha, que tem acesso a dinheiro. Não era possível que NINGUÉM ia topar ajudar o brother. Ele disse que ia descer lá na Benarrós, deixou esse deadline pra galera. E nada! Um minuto depois, apareceu uma garotinha, me lembrou até oferta de igreja em que as mães mandam as crianças. [Eu morria de vergonha, ia odiando]. Até que apareceu um cara pra ‘recolher’ vários dinheiros que as pessoas estavam segurando mas não tiveram a coragem de ir até o homem, entregar na mão dele. Com um olhar de quem quer dizer ‘vá lá mano, é pouco mas pode ajudar, boa sorte nessa sua jornada’.

Eu não sou de dar esmola pra pedinte, principalmente quando ele diz que é pro da cachaça, naquele dia até se eu tivesse uma maçã na bolsa eu teria dado pra ele. Lógico que minha situação não tava como a dele, mas na ocasião eu realmente não tinha grana. Isso me faz pensar que tem gente que tem vergonha de ser boazinha. Tanta gente fazendo maldade purai e o povo acaba tolerando muita coisa que quando chega a hora de fazer algo, mesmo que simples, mas o bem pro outro, rola um cagaço. Why?

Um comentário:

Rosa Moraes disse...

Interessante observação. Toleramos tanta maldade e hesitamos em fazer o bem. Faz tempo isso, né? É como ser zoado na escola por não fumar, beber ou usar drogas. É como ser chamado de gay por não querer trair a namorada com uma vadia que não pára de se jogar. É como ser um "bundão" por sempre respeitar o limite de velocidade e não estacionar em lugar proibido. Pois é, por algum motivo muita gente prefere se incomodar com o correto e tolerar o torto. Também não sou de dar esmola pra pedinte, prefiro comprar um chiclete, colaborar com um arremedo de trabalho. Não acho que ninguém mereça sofrer por isso, mas também não acho justo dar um absurdo em imposto pro governo fazer alguma coisa e ainda ter que dar esmola porque os sacrossantos não fazem nada. Brasileiro no geral é coração mole. Os corações de pedra lá de cima também sabem disso.
Adoro seus textos, mulé!! Não pára de escrever não, ow!! :D